O mercado financeiro, especificamente a parte de investimentos, causa fascínio devido aos potenciais ganhos que se pode ter e, ao mesmo tempo, gera repulsa diante dos vários casos de fraudes que ocasionaram consideráveis perdas aos investidores.
“Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros”
-Benjamin Franklin
Os “espertos” estão em todas as áreas, porém, no mercado financeiro, sempre aparecem com o mesmo discurso: de que descobriram alguma fórmula mágica de enriquecimento através de aplicações extremamente rentáveis e de baixo risco, geralmente acompanhadas de uma estratégia de marketing muito bem conduzida. Como sou afeito aos ditos populares (já que são populares justamente pela sua recorrência) com licença poética, cito um: “Não existe almoço grátis no mercado financeiro.”
O que existe é a relação risco versus retorno, e seguramente quanto maior o retorno esperado (maior a possibilidade de ganhos) maior é o risco associado (maior a possibilidade de perdas).
Não nos deixemos enganar. As grandes fraudes existem, mas, dentro do sistema financeiro tradicional, as pobres e regulares recomendações diárias sobre onde aplicar, eivadas de conflitos de interesses, feitas por profissionais com ou sem capacidade técnica, têm um potencial tão nocivo à construção do patrimônio a longo prazo quanto os grandes esquemas financeiros. Acredito que a maioria de nós, investidores mais experientes ou iniciantes, já nos deparamos com alguma situação em que fomos conduzidos a investir em produtos não condizentes com nosso perfil, com uma rentabilidade muito baixa e sem uma explicação plausível sobre o porquê de estarmos direcionando recursos para aquele destino. Para iniciar uma conversa, é importante ter ciência que uma carteira de investimentos deve, no mínimo, na pior das hipóteses, proteger o capital investido contra a inflação ao longo do tempo. Nem todos os produtos têm essa característica básica.
Uma boa maneira de começar a controlar o risco dos investimentos (que não é apenas uma medida da probabilidade de alta ou queda na rentabilidade dos ativos) é dispender um tempo para a educação financeira. Desta forma, será possível conhecer seu perfil de investidor, entender as classes de ativos e seus produtos, definir uma boa estratégia de investimentos e, com muita disciplina, implementá-la, desviando-se no curto prazo de sugestões mal-intencionadas, profissionais sem ética e produtos financeiros ruins.
Sou frequentemente questionado sobre como ser um bom investidor. Venho reiteradamente respondendo, se é que sou digno de passar algum conselho, que conhecimento, disciplina, diversificação e visão de longo prazo é a combinação ideal para atingir resultados consistentes nos investimentos, tendo em vista os objetivos a serem estabelecidos, tais como independência financeira, aposentadoria, reserva de recursos para grandes empreendimentos, viagens, cursos, estudos dos filhos, entre vários outros possíveis.
Adaptando John C. Bogle, em seu livro “Common Sense on Mutual Funds”, para o interesse deste pequeno texto, que é de disponibilizar o básico para que os investidores minimizem perdas e obtenham consistência, afirmo que quando você tiver identificado seu objetivos de longo prazo, definido sua tolerância para o risco e cuidadosamente tiver escolhido um pequeno número de bons ativos de baixo custo que vão ao encontro dos seus alvos, se mantenha no caminho. Estou absolutamente convencido que as emoções dos investidores, como ganância e medo, entusiasmo e esperança – se transformadas em decisões precipitadas – podem ser tão destrutivas à performance dos investimentos quanto os retornos inferiores que em determinados momentos o mercado nos impõe.