O mês de junho terminou e, como nos meses anteriores, o principal assunto a ser abordado nesse documento continua a ser o coronavírus. Não poderia ser diferente, já que a evolução da pandemia ao redor do mundo continua a direcionar o desempenho dos mercados.
Nos últimos 30 dias, após (i) aumento da flexibilização, (ii) maior grau de abertura econômica, (iii) diminuição do distanciamento social e (iv) aumento da testagem, o número de casos diários nos EUA atingiu o pico, de aproximadamente 45 mil casos, em 26 de junho de 2020.
Existe a preocupação dos agentes econômicos de que o aumento da contaminação signifique uma segunda onda de contágio nos Estados Unidos, o que traria ainda mais instabilidade para os mercados. Contudo, até o momento, o alastramento ocorre em estados que foram menos atingidos nos primeiros meses da pandemia, o que configura uma continuação da primeira onda. De toda forma, a depender do descontrole, a potencial recuperação da economia poderá ser impactada.
Um ponto positivo a ser destacado é a recuperação do nível de emprego. O mercado financeiro esperava criação de 3,7 milhões de vagas, todavia em junho os Estados Unidos abriram 4,8 milhões de postos de trabalho, com redução da taxa de desemprego de 13,3% para 11,1%. Para efeitos comparativos, em maio foram criadas 2,5 milhões de vagas.
O dado positivo de geração de empregos é suportado pela contínua injeção de liquidez, por parte do FED (equivalente ao Banco Central americano) no sistema financeiro. Os últimos dados divulgados, em 18 de junho, indicavam que o Federal Reserve já havia comprado aproximadamente US$ 6,8 bilhões em ETFs de renda fixa e US$ 428 milhões em títulos corporativos, como Boeing, Ford, Walmart e Coca-Cola, diminuindo o risco sistêmico.
ETF
Exchange Traded Funds. Fundos representativos de índices que são negociados no ambiente da Bolsa de Valores.
Outro fator importante é a aproximação da descoberta de vacinas efetivas, principalmente as protagonizadas pela Universidade de Oxford e o laboratório AztraZeneca e pela Pfizer.
Outro fator importante é a aproximação da descoberta de vacinas efetivas, principalmente as protagonizadas pela Universidade de Oxford e o laboratório AztraZeneca e pela Pfizer.
Assim, tendo em vista os sinais mistos acima citados, tivemos considerável volatilidade nas bolsas americanas ao longo do mês. No entanto, houve predominância de notícias positivas e de grande liquidez disponível, já que o índice S&P 500 percebeu alta de +1,8% no mês, quase recuperando toda a queda desde a eclosão da crise, que ainda está em -3,9% em 2020.
S&P 500 (Standard & Poor's 500)
índice americano que reproduz a média da valorização ou desvalorização das ações das 500 maiores empresas dos EUA.
O cenário brasileiro, com relação ao espalhamento do coronavírus, é bem semelhante ao dos EUA: estados pouco atingidos em um primeiro momento vivendo um aumento do número de casos. Porém, um fator importante a ser considerado é que os locais críticos, como São Paulo e Rio de Janeiro, continuam com números crescentes.
Quanto à recuperação econômica, os dados não são mais animadores do que as economias desenvolvidas. De acordo com o IBGE, através da PNAD Contínua, a taxa de desemprego no país está em 12,9%, para o trimestre encerrado em maio, com fechamento de 7,8 milhões de vagas de emprego em relação ao trimestre anterior. Houve queda de 2,5 milhões das vagas com carteira assinada, e menos de 50% da população apta ao trabalho está economicamente ocupada pela primeira vez desde que a pesquisa se iniciou. Movimento inverso ao de outros países.
Todavia, o Ibovespa fechou junho em alta de +8,75%, em 95.055 pontos. Ao nosso ver, existe um descolamento da economia real com o mercado acionário, que está sendo impulsionado pela taxa Selic a 2.25%, em seu menor patamar da história, e pela liquidez abundante proporcionada pelos bancos centrais.
PNAD Contínua
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Acompanha e produz índices sobre as flutuações trimestrais e a evolução, no curto, médio e longo prazos, da força de trabalho, e outras informações necessárias para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País.
Temos que endereçar positivamente algumas questões internas para (i) termos uma recuperação consistente da confiança dos consumidores e empresários e, por conseguinte, crescimento econômico, e para (ii) diminuirmos a distância entre os preços dos ativos no mercado financeiro e o valuation de algumas empresas. Tais questões passam, principalmente, pelo prolongamento da pandemia do coronavírus, problema fiscal gerado pela queda de arrecadação e aumento de gastos, e os problemas políticos que podem atrapalhar, ainda mais, o enfrentamento da própria pandemia e a futura aprovação de reformas, como a tributária e a administrativa.
Valuation
métodos de avaliação do valor de empresas
Assim,dentro de um ambiente tão assimétrico como o que estamos vivendo, com uma variável imprevisível nos modelos econômicos que é a COVID-19, avaliaria:
Papéis de vencimento curto/médio que tenham liquidez em mercados secundários e que estejam com a marcação a mercado adequada ou favorável ao comportamento prospectivo da curva de juros. Papéis bancários dentro do FGC podem ser uma alternativa complementar ao portfólio.
métodos de avaliação do valor de empresas
Gestores estudam e analisam como as tendências macroeconômicas (nacionais e globais) impactarão as taxas de juros, as ações, as moedas e as commodities.
Fundo que opera com Inteligência Artificial a partir de análises matemáticas e de algoritmos.
Gestores do fundo criam “pares” de ações, estando “long” em uma (comprados) e “short” em outras (vendidos). Os gestores avaliam as empresas e compram as ações daquelas que estão saudáveis e que possuem potencial de valorização. E, em paralelo, avaliam as empresas que estão passando por dificuldades, com tendência de queda ou supervalorizadas, e vendem as respectivas ações (neste caso, os gestores não possuem as ações: eles alugam os papéis de outros investidores e, quando o movimento ocorre, eles cessam o aluguel).
estratégia que trabalha apenas com posições “long” (compradas), sem posições “short” (vendidas), apostando apenas na alta dos papeis que integram o portfólio.
estratégia que aproveita a diferença de cotações de um mesmo ativo em mercados diferentes.
Priorizar empresas de maior qualidade, que possuam capacidade de ajuste da cadeia produtiva e de distribuição. Dentro da premissa diversificação, não concentraria em setores específicos.