Diversificação é um tema quase controverso entre investidores, dos iniciantes aos mais experientes. Utilizei o termo quase, tendo em vista que é majoritária, próxima à unanimidade, a corrente que defende a diversificação como a única alternativa para se conseguir retornos no longo prazo, com relativa previsibilidade e segurança.
“Diversifique. Em ações e títulos, e em muitas outras coisas, há segurança nos números.”
-Sir John Templeton
A outra parte, minoritária, afirma que diversificar os ativos investidos reduz os potenciais ganhos e que é um subterfúgio utilizado por profissionais que trabalham com investimentos para se isentarem das eventuais recomendações deficientes.
Contudo, depois de alguns anos estudando o tema e observando o comportamento dos agentes nos mercados, notei que aqueles que são bem-sucedidos e defendem a alta concentração de ativos (ausência de diversificação), atuam num contexto diferente de 99,9% dos investidores. Eles possuem acesso a uma base de informações estratégicas provenientes de diferentes estruturas como, por exemplo, uma rede contatos que incluem pessoas do sistema político, presidentes de órgãos econômicos e diretores de empresas. E não falo aqui de informações ilegais, me refiro apenas aquelas que estão fora do alcance do campo de influência do investidor médio. E aqui temos um consenso: acesso a dados relevantes, de forma antecipada, aliada a uma equipe de análise ou a capacidade de síntese de um investidor é um grande diferencial.
Nesse sentido, sem a disponibilidade de ferramentas não convencionais, acredito que a diversificação é a melhor estratégia para preservação e construção do patrimônio financeiro. Sua execução não é baseada no instinto ou na intuição, é necessário ter conhecimento técnico e desenvolver habilidade em gerenciamento de riscos para conseguir retornos iguais ou superiores a uma alocação concentrada em um único veículo de investimento. E para compreender melhor como aplicar essa estratégia é necessário absorver um outro conceito: o da correlação de ativos.
Resumidamente, a correlação é um número de -1 a 1 que é calculado através dos retornos históricos dos ativos financeiros. Uma correlação perfeitamente positiva, indica que o coeficiente é exatamente 1, sendo que quando a rentabilidade de um ativo sobe a rentabilidade do outro aumentará na mesma proporção (o inverso é verdadeiro). Uma correlação perfeitamente negativa indica que o coeficiente é exatamente -1 e que a rentabilidade dos ativos se move contrariamente, quando a rentabilidade de um sobe a do outro cai, na mesma proporção. Uma correlação igual a 0significa que não existe relação entre o comportamento de dois ativos.
Constituir um portfólio utilizando vários ativos que são descorrelacionados aumenta a probabilidade de obtermos o maior retorno para um certo nível de risco ou o menor nível de risco para um certo nível de retorno. Essa é a base da Teoria do Portfólio, de Henry Markowitz, ganhador do prêmio Nobel por esse trabalho.
É possível diversificar um portfólio com diferentes ativos, fundos de diferentes estratégias, papéis de diferentes países. Os mais comuns são: ações, títulos públicos, títulos privados (CRAs, CRIs, Debêntures), papéis bancários (CDB, LCA, LCI, Letras Financeiras), ETFs (fundos negociados na bolsa de valores), fundos imobiliários e moedas. Existem também os hard assets como imóveis, arte e ouro físico. O percentual alocado em cada ativo definirá o grau de risco assumido.
A diversificação dos investimentos não será capaz de gerar ganhos vultosos e rápidos, contudo atuará contra a fragilidade do portfólio e a favor da constância dos ganhos, da preservação do capital e do crescimento sustentável do patrimônio ao longo do tempo.
Dessa forma, sugiro que busque conhecimento, poupe, diversifique e troque de ativos somente em caso de real necessidade, pensando no seu objetivo de longo prazo. Caso não se sinta confortável em fazer tudo isso sozinho, é necessário o apoio técnico de um profissional idôneo que possua conhecimento e tenha como principais premissas de sua atuação, a ética e a transparência.