Enquanto investir é necessário, nem sempre os retornos terão a precisão ou acurácia esperados pelos investidores.
Com toda a reverência que Fernando Pessoa merece e utilizando do advento da licença poética, reformulei uma de suas frases para dar título a este texto.
Benchmarks
são índices de referências adotados para avaliação da performance de investimentos. Os mais comuns são índices de juros como CDI e SELIC ou de alguma forma atrelados à inflação, como IPCA ou IMA
são índices de referências adotados para avaliação da performance de investimentos. Os mais comuns são índices de juros como CDI e SELIC ou de alguma forma atrelados à inflação, como IPCA ou IMA.
Com o fácil acesso das pessoas às informações disponíveis e à comunicação baseada em tempo real, principalmente devido à difusão da internet ao redor do globo, é difícil obtermos informações relevantes que não sejam rapidamente incorporadas nos preços dos ativos. Essa velocidade faz com que a assimetria de preços após a divulgação de dados seja cada vez mais curta – e até irrelevante.
Tendo em vista o exposto acima, a possibilidade de uma vantagem competitiva seria o uso de informações que ainda não sejam de conhecimento público. Contudo, sabemos que negociar valores mobiliários com base em informações que ainda não possuem divulgação geral, com o objetivo de lucrar ou obter vantagem, é tipificado como insider trading (crime segundo a legislação brasileira). Nesse sentido, coibimos tal prática.
Ainda que tenhamos rápido acesso às informações já públicas com busca direta na fonte, existem sistemas de negociação que filtram essas informações e atuam em milésimos de segundos. Portanto, não estamos diante de uma vantagem competitiva de longo prazo que geraria retornos consistentes.
Já o conhecimento técnico, aliado a uma boa capacidade analítica, confere uma modesta vantagem competitiva ao investidor, já que parte considerável dos investidores não dedica tempo ao aprendizado e também não busca profissionais isentos e qualificados para colaborar com o processo decisório.
Como dito no início deste documento, a certeza total inexiste. Se temos que tomar uma decisão ou definirmos uma escolha, isso por si só já caracteriza que estamos em um ambiente incerto. Contudo, incerteza nem sempre será sinônimo de excesso de risco.
Fonte: Protocolo SAMU 192 - “Protocolos de Suporte Básico de Vida ↗️”
Desta forma, o médico aceita a incerteza – já que tem conhecimento sobre as premissas básicas para atuar dentro das assimetrias existentes. Caso o profissional não estivesse preparado para atuar em ambientes incertos, ele não tomaria nenhuma decisão e o risco da omissão, pelo receio de errar, poderia ser muito maior.
Assim, investir sob a improbabilidade é inevitável. Contudo, se tivermos as premissas certas, podemos mitigar grande parte da incerteza no estágio inicial, proporcionando uma margem para erros. Porém, o principal aprendizado é podermos reconhecer aquilo que está sob nosso controle e aquilo que não temos nenhuma ingerência. Essa conscientização favorecerá e fortalecerá a maior e mais duradoura vantagem competitiva de qualquer investidor: o comportamento.
Em comunicação anterior (artigo “Vieses dos Investidores”), demonstramos os vieses comportamentais mais comuns, aqueles que explicam os motivos de tomarmos decisões erradas. Entretanto, saber os motivos não é suficiente. Temos que evitar os erros, que costumam surgir nas seguintes situações:
Não tomar más decisões, no médio prazo, levará a resultados tão consistentes quanto fazer algumas boas escolhas. Conhecer o comportamento humano, quais são os gatilhos (por vezes anímicos) que desencadeiam julgamentos equivocados e possuir um conjunto de premissas a serem seguidas dentro do processo decisório limitará as perdas e, por conseguinte, a necessidade do acaso para que você obtenha resultados consistentes ao longo do tempo.
ABCDE... da escolha de bons ativos (básico)
Como investir é preciso, mesmo em tempestades perfeitas, utilizarei o espaço para difundir algumas ideias que considero um norte, uma carta de navegação superficial, para reduzir a margem de erro na escolha de ativos e na constituição de um portfólio de médio e longo prazos:
“Algumas pessoas se sentem afrontadas quando algo que pensavam ser verdade não acontece. Se for esse o caso, então sua sensação de risco é muito maior e isso leva à aversão ao risco. Você precisa ser capaz de se sentir confortável na incerteza.”